Lado

Perdoa a minha sinceridade.
Isso é mania nova, adquiri contigo.
Antes era tudo cheio de pompa e circunstância, mas por ti deixei isso pra trás.
Importava janta, roupa, jeito, trejeito, cabelo e penteado. Importava quando, como e porque. Agora, contigo, não importa o lado.
Terreno, casa, apartamento. Alugado, comprado, vendido. Não importa.
Importa o lado, teu lado, ficar.
Desculpa se por isso esqueço, as vezes, de colocar a roupa nova e a deixo esquecida no armário. Aprendi, contigo, que isso tudo é pouco, pequeno.
Adquiri hábitos novos. Agora, primeiro lembro, nos momentos bons e ruins, do teu lado. Corro pra casa, quero te contar. O lado, teu lado.
Descobri que meu próprio lado, não importa onde, é aquele do teu lado.

“Cada lado tem seu lado, eu sou meu próprio lado.”, Menino Maluquinho. Ziraldo.

Quero meus trinta anos.

Cheguei aos trinta

E nada me parece errado ou fora do lugar. Vivi muito até agora. Lutei, amei, errei, sofri, aprendi, errei, conquistei, perdi. Tudo isso muitas vezes, de diversas formas e em muitas ordens diferentes. Mas hoje algo diferente aconteceu. Meu telefone tocou o dia todo, recebi mensagens lindas no Facebook. Chorei, sorri, comemorei. Mais quieta, mais para dentro do que nos últimos anos. Quem sabe seja o sinal do tal do amadurecimento…

Meu avô se assustou: “TRINTA ANOS, MINHA NETA.” Sabe que eu não?! Estou encantadoramente feliz com a minha idade. Medo eu tive há alguns anos quando olhei para trás e me dei conta de que ainda faltava muita coisa para viver. Hoje, não. Tô mais tranquila, mais serena, mais certa do que quero.

Se eu tivesse uma prateleira hoje, com todas as minhas idades já vividas, escolheria exatamente essa. Não que esteja vivendo a melhor das vidas, com tudo realizado, longe disso. Mas me sinto mais na minha pele do que nunca. E como isso é importante. Meus trinta anos me ensinaram a lidar com dificuldades muito grandes. A me conhecer, me gostar, saber o que quero. Que lindo fazer aniversário. Bem-vindos, Trinta. Quero mais dois.

Aos amigos que são contra o Bolsa Família

Eu tenho amigos que são contra o Bolsa Família. São contra dar o peixe, a favor do ensinar a pescar. Isso dói na minha alma. Dói porque eu nasci em uma vila, tive muitos amigos que viviam em situações terríveis enquanto cresci. Eu poderia tentar explicar para os meus amigos os porquês da necessidade do Bolsa Família , mas pra isso eles precisariam entender o que é fome. Não fome no meio do dia, “Putz, não tem pão em casa.”. Não fome de não jantar um dia.

Fome de comer um pão por dia durante MUITOS dias. Fome de sentir tontura, fome de ter vontade de morrer. Fome de fazer qualquer coisa por comida. Fome e não ter o que comer é uma dor que não tem tamanho e que eu desejo que nenhum dos meus amigos presencie. A fome é devastadora, a fome é uma dor que não tem fim.

Eu já vi pessoas com fome assim. Eu já senti o vazio nos olhos, a dor no corpo. Já corri para a casa do meu pai, peguei comida na dispensa e levei para os meus amigos. Eu fiz o mínimo, hoje eu sei disso. Dar comida para quem tem fome é uma OBRIGAÇÃO.

Para os amigos que ainda disserem que, mesmo assim, o Bolsa Família é um engodo. Que muitos pegam o benefício e gastam em pinga, eu dou certeza que se procurarem os números vão encontrar que mais de 90% dos contemplados comendo o dinheiro que arrecadam. Mais de 90% que estão fazendo com que os filhos estejam na escola, aprendam e sejam no futuro uma das engrenagens desse País.

Todos esses motivos já seriam bons motivos para o Bolsa Família existir e ser louvado. Mas, só de pensar que hoje milhões de crianças estão dormindo com mais do que um pão na barriga, eu acho que não preciso argumentar mais ou sequer discutir sobre pescar ou peixe. Lugar de criança é na escola bem alimentada, com remédio e médico. Se eu um dia for contra isso, por favor me interne, terei perdido meu coração.

Aos amigos que tenho, que preso, que amo, por favor não voltem a discutir comigo sobre o Bolsa Família. Me dói muito, me traz péssimas lembranças. Eu apoio, eu aprovo, eu assino embaixo.Bolsa-Família

A Copa das Copas para quem?

Eu sempre admirei os jogadores de futebol. Não estou me referindo aos peladeiros, sim os que fizeram disso uma profissão. Por um tempo até eu vivi esse quase sonho. Óbvio que era futebol feminino, não tinha nada de glamour, mas cheguei a poder me chamar de “profissional”. Não vinguei porque eu não tinha algo que é fundamental: disciplina.

Isso de ter que dormir cedo, acordar, treinar, comer certinho, treinar de novo, fazer musculação, se privar, fiz durante um ano no Paris Saint-Germain e vou contar uma coisa para vocês: enche o saco. Sério. Em determinado momento eu estava me achando um robô. Eu vivia para o futebol e isso me fez ver que não era o que eu queria. Voltei para o Brasil e larguei tudo. Até os times daqui. Larguei. Fui estudar, trabalhar, namorar, viver. Ver outras coisas.

Por isso eu acho excepcional que uma pessoa entregue sua vida ao prazer dos outros. Porque, no fim das contas, é um pouco isso. Aqueles caras que estão dentro de campo param de viver por dez, vinte anos, na “melhor” das hipóteses, para se dedicar ao teu divertimento. Acho nobre. Sim, eles ganham milhões por isso. Nunca ganhariam esse dinheiro em outra profissão. Mas também são poucos, pouquíssimos, os que conseguem ter a disciplina e se entregar para chegar ao nível que eles chegam.

Isso tudo para vocês verem aonde eu quero chegar: ISSO É FUTEBOL. O que esses jogadores fazem é esporte. Um dia a gente ganha, outro empate, no outro perde e no quarto dá um vexame. Dai a gente se chateia, cobra do treinador, dos jogadores, fica triste, sofre, mas deu. Acaba aí. Segue a vida. É assim que tem que ser.

Agora começam as eleições e isso sim vai ser importante. Isso sim deveria ser capa de todos os jornais, com cobertura completa minuto a minuto, jornalistas trazendo os dois, três, quatro lados que vão existir. Quem fez o que e porque. Quem se beneficiou, quem beneficiou a outros. Assim, nós poderemos decidir não quem recebe uma taça, mas sim quem recebe saúde, educação, alimentação. Mas aposto com vocês, as eleições não terão tantos jornalistas, nem toda essa cobertura.

Eu só queria, por último, dizer uma coisa: os brasileiros não devem estar envergonhados. Sério! O mundo inteiro fala bem do Brasil. E nem vou cair só nos clichês de hospitalidade e carinho para com os turistas. Estou falando de estrutura mesmo. Tem país na Europa é dez vezes menor do que o Brasil e não consegue organizar aeroportos, rodovias, como o Brasil fez. E não, não estou falando da Dilma ou do Governo. Estou falando do povo brasileiro que pagou impostos e ele sim é o responsável pelo sucesso dessa Copa, o maior evento esportivo do mundo. Sim, nós fizemos a melhor Copa. A Copa das Copas. E não podemos deixar que isso caia em esquecimento por causa da derrota da Seleção. E nem deixar que o PT ou quem quer que seja beneficiado com isso que NÓS pagamos e construímos. Eu tô orgulhosa pra CARAMBA de todo mundo. Tô feliz AS PAMPAS pela Copa. E tô FULA da vida com o Felipão, mas isso não me tira a alegria no canto do rosto e o sentimento de orgulho que eu estou sentindo de ser brasileira. A Copa é dos brasileiros. É desse povo sofrido, que ama futebol, e trabalhou por ela. Não tirem isso destes 200 milhões de fanáticos. A Copa é nossa, com ou sem troféu.

Como eu era idiota quando era mais nova.

O Facebook serve para muitas coisas. É sempre bom olhar para as postagens daquela ex-namorada chata, que te fez sofrer, e ver que tu não perdeu NADICA DE NADA. Nada mesmo. Tu reencontra aquele professor legal, que tu tratava tri mal, não dava bola, mas agora aprendeu a valorizar e fica imaginando o esforço enorme que ele tinha que fazer para te aguentar. Até que, entre as muitas “amigas” que tu tinha no segundo grau, uma das poucas que era realmente amiga e tu adicionou no Facebook curte a foto de outra colega tua que não era tua amiga, nem mesmo na escola. Complicado, né?!
Mas daí tu olha as fotos dessa colega e vê que, com ela, de fato, tu deveria ter feito amizade. Lembra como ela era legal, quieta, na dela, lia e tals, mas nãããão… Tu tinha que ficar correndo atrás de rabo de saia ou bola. Olha o tempo que a gente perde nessa vida… Muita gente diz que a gente não deve se arrepender do que fez, só do que não fez. Bueno, não dá para fazer tudo na vida. Eu acho que errei em algumas escolhas.
Pior é que hoje eu olho para o meu irmão, que tem só 13 anos, e queria dizer isso tudo para ele. Explicar que é mais importante ter milhares de experiências diferentes do que namorar a mesma pessoa muito tempo, ter os mesmos amigos, praticar o mesmo esporte… Mas não sei como. Eu até tento. Converso com ele sobre isso, mas de alguma forma muito macabra é aquela coisa. A gente ensina o básico, de resto é cada um por si com suas escolhas.
Mundo cão! Queria voltar no tempo, namorar menos e ter mais amigos. Acho que eu poderia ter tido momentos tri legais com essa colega que vi nas fotos. “C’est pas facille!”.

Domingo para aprender um pouco mais sobre jornalismo e futebol.

Hoje, quando eu vi os jogadores da dupla Gre-Nal se cumprimentando antes do jogo, me lembrei de uma coisa dos tempos em que trabalhava em redação de jornal. Um dia tive uma discussão com um dos redatores. E foi feia a coisa. Olha que ele estava no jornal há anos, e eu tinha chegado há alguns meses.

Eu disse a ele que isso de ficar se xingando por causa de futebol era besteira, eu não tinha nada contra colorados. Pelo contrário, tinha muitos amigos colorados. Ele ficou chateado, me deu mil explicações, disse que gremista que é gremista tem que odiar o Inter, que isso que mantinha a tradição viva. Não, não é assim.

Vi o capitão do Inter entrar na casamata do Grêmio ontem, cumprimentar um por um, abraçar o Celso Roth e nem por isso ele jogou menos. Gostei do que vi.

Sou gremista, me orgulho disso. Não gostei da derrota de ontem. Estou de saco cheio de ver o meu clube montar time medíocre. Mas, sinceramente, se não fosse contra o Grêmio, eu não ia torcer pro Inter ficar fora da Libertadores. Eu torço pelo meu time, reclamo do meu presidente, mas não vou torcer para que um paulista ou carioca pegue uma das únicas vagas que ficou fora deste eixo Rio-São Paulo maldito.

Foi um domingo intenso pro futebol brasileiro. Os melhores clubes, os mais bem estruturados, com uma direção profissional, ficaram no topo. Times dirigidos por políticos, torcedores e afins, ficaram na rabeira. Que isso sirva de ensinamento. Se o Odone quer se eleger para alguma coisa, que delegue para alguém a tarefa de gerenciar o clube. Alguém que entenda de finanças e administração.

Acho que dezembro e janeiro vão ser os meses que mais torcerei pelo Grêmio. Foi acompanhar de perto. Quero ver como vai ser montado o time do ano que vem.

E que venha o Gladiador! Chega de Imortal.

É muito barulho! É muito barulho?

Andar de carro em Porto Alegre é um teste. Tem que ter paciência, rapidez, agilidade, tranquilidade… Quem mora aqui sabe. Mas hoje eu notei algo diferente, ao menos para mim que voltei a morar em Porto Alegre há um ano. Como é barulhento o trânsito! Principalmente as motos. E o pior de tudo é que é proposital. Eles furam a surdina da moto para que o barulho do motor seja maior e, portanto, ela pareça ter uma potência maior do que realmente tem.

Buenas, mas isso me levou a outra percepção. A sociedade está passando por um momento de exteriorização, se é que se pode chamar assim. Há alguns anos, quando eu ainda estava no ensino fundamental, lembro que a moda era usar Walkman. Isso mesmo, “homem que anda”, algo assim. Walkman era o nome de uma marca, a melhor do mercado, em aparelhos sonoros. Naquele tempo era com K7, ninguém deve lembrar disso. Tá, vou tentar não fugir do assunto…

A questão é que as pessoas gostavam de escutar músicas sozinhas. Queriam que ninguem as notasse, não queriam compartilhar. Hoje em dia é o contrário. Nos ônibus os adolescentes ligam a música alta, sem fone de ouvido, para serem notados. Tem gente que gasta sei lá quantos mil reais para colocar um SUPER SOM no carro e compartilhar com todo mundo que estiver na mesma rua, mesmo que as outras pessoas não queiram escutar sertanejo universitário e funk.

É diferente.

Eu tenho uma teoria. É tanta informação ao mesmo tempo, todo mundo aprendeu tão rápido a viver em um mundinho só seu com a internet, que tem gente querendo chamar a atenção a todo custo. Ué, é até uma forma de chamar atenção pra vida, sei lá.

É válido. Nem tudo que a gente precisa está na telinha do computador. Tem coisas que nem o Google e nem as mensagens do Facebook podem resolver. Um pouco eu admiro essa gente que tá por aí gritando pra galera: “Estou aqui, venha se relacionar comigo”. Outro pouco fico irritada e queria que todos eles se calassem.

Difícil viu…