Andar de carro em Porto Alegre é um teste. Tem que ter paciência, rapidez, agilidade, tranquilidade… Quem mora aqui sabe. Mas hoje eu notei algo diferente, ao menos para mim que voltei a morar em Porto Alegre há um ano. Como é barulhento o trânsito! Principalmente as motos. E o pior de tudo é que é proposital. Eles furam a surdina da moto para que o barulho do motor seja maior e, portanto, ela pareça ter uma potência maior do que realmente tem.
Buenas, mas isso me levou a outra percepção. A sociedade está passando por um momento de exteriorização, se é que se pode chamar assim. Há alguns anos, quando eu ainda estava no ensino fundamental, lembro que a moda era usar Walkman. Isso mesmo, “homem que anda”, algo assim. Walkman era o nome de uma marca, a melhor do mercado, em aparelhos sonoros. Naquele tempo era com K7, ninguém deve lembrar disso. Tá, vou tentar não fugir do assunto…
A questão é que as pessoas gostavam de escutar músicas sozinhas. Queriam que ninguem as notasse, não queriam compartilhar. Hoje em dia é o contrário. Nos ônibus os adolescentes ligam a música alta, sem fone de ouvido, para serem notados. Tem gente que gasta sei lá quantos mil reais para colocar um SUPER SOM no carro e compartilhar com todo mundo que estiver na mesma rua, mesmo que as outras pessoas não queiram escutar sertanejo universitário e funk.
É diferente.
Eu tenho uma teoria. É tanta informação ao mesmo tempo, todo mundo aprendeu tão rápido a viver em um mundinho só seu com a internet, que tem gente querendo chamar a atenção a todo custo. Ué, é até uma forma de chamar atenção pra vida, sei lá.
É válido. Nem tudo que a gente precisa está na telinha do computador. Tem coisas que nem o Google e nem as mensagens do Facebook podem resolver. Um pouco eu admiro essa gente que tá por aí gritando pra galera: “Estou aqui, venha se relacionar comigo”. Outro pouco fico irritada e queria que todos eles se calassem.
Difícil viu…
Ora pois, o ponto principal disso tudo ainda se chama “falta de educação”! Se quero chamar atenção de alguem, prefiro que seja para algo de interessante em mim, não o meu potente mp10 que toca “ai se eu te pego”!(obviamente não escuto esse “tipo” musical porque tenho amor aos meus ouvidos). Discordo do “é valido” minha amiga porque acredito que ainda existam seres nesse mundo-cão que têm formas agradaveis e menos barulhentas de chamar atenção pra vida. Nós sabemos quem elas são porque temos a sensibilidade suficiente para entender isso.