Há tanto tempo eu não sento para escrever algo que não seja uma matéria. E é óbvio, como todo escritor frustrado eu penso diversas vezes em milhares de temas que se formam na minha cabeça, mas por falta de tempo, de animo, de vontade,deixo a escrita de lado e vou dormir. Talvez, junto com estes textos que não escrevo, vão alguns de meus sonhos. As vezes sinto que sempre que estou exausta e me deito, sem ter forças para mais nada, sem ter coragem de pensar em o que farei no outro dia, um sonho morre, a realidade o esmaga,o destrói, isso é péssimo.
As vezes tento dar uma injeção de animo, sair do desespero, levantar, pegar o computador, e falar sobre tudo isso que me magoa, me encanta ou destrói, mas não consigo.
Hoje consegui. Hoje que estou mais cansada que nunca, acabada, com as emoções todas confusas, com mais de mil fantasmas a me rondar, milhões de decisões a tomar, hoje eu tirei um tempo e escrevi. Hoje me deu coragem.
As vezes parece que eu tento mudar o mundo para ele se moldar ao meu jeito, mas ele teima em continuar rodando do mesmo jeito, que coisa triste!
Mundo, pare! Me deixe coordenar um pouco o que acontece comigo. Me deixe mandar no destino, me deixe decidir de facto o que está acontecendo comigo e com as pessoas. Ele me olha, displicente, e diz “Não!”. Maiúsculo e com exclamação. Coisa triste!
A gente decepciona, é decepcionado e não parece nunca que as coisas tem fim.
Acho que é o cansaço. Geralmente tenho pensamentos mais felizes. Vou arrumar a cama e ir deitar. Talvez esse seja o remédio. Talvez eu devesse fazer sempre isso. Talvez a dor fosse menor.